era uma vez um menino e um morango! o menino adorava o morango colocou o nome dele de carango um dia o morango estragou o menino comeceu a chorar o menino tinha 3 anos mas ele encontrou outro morango e colocou o nome de "carango cadê você"
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morango>>>vermelho
limão>>>verde
laranja>>>laranja
uva>>>roxa
beterraba>>>marron
existem varias frutas com cores coloridas...
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Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve?
Tereza? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão,
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros.
E em noites de lua cheia passam rondando os maruins:
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão,
Muito me agrada a tua companhia,
Porque eu te quero muito bem, doce chuva,
Quer te chames Tereza ou Maria.
MANGA, MANGUINHA...
Tomás Jorge
A manga é um símbolo d´África:
No seu sabor,
No seu aroma,
Na sua cor,
Na sua forma.
A manga tem o feitio de um coração!
A África também.
Tem um sabor forte, quente e doce!
A África também.
Tem um tom rubro-moreno
Como os poentes e as queimadas
Da minha Terra apaixonada.
Por isso te gosto e te saboreio,
Ó manga!
-- Coração vegetal, doce e ameno.
Tu és o amor do abacate
Porque ele guarda no seu meio
Um coração que por ti bate;
Bate, bate, que bate!
Ó manga, manguinha.
A minha goiabeira
P. Bandeira
No jardim da minha casa
mora uma grande amiga.
É uma velha goiabeira,
Linda, grande e muito antiga.
“Isso é manacá-da-serra!”
minha mãe disse para mim,
e eu bem sei que goiabeira
não se planta no jardim.
Mas eu gosto de goiaba,
manacá nunca comi
Pois pra mim é goiabeira,
minha amiga e companheira,
e eu não quero discutir.
“Manacá é uma flor,
não é uma fruta de comer.”
Me explicaram outro dia,
e eu não quis nem responder,
pois eu pego uma goiaba
que a mamãe comprou na feira,
vou correndo pro jardim
procurar a goiabeira,
pra deitar na sua sombra
e fingir que foi dali,
de um galho dos mais altos,
que a goiaba eu colhi.
Quando a tarde é de calor,
subo lá na goiabeira,
e, pensando pensamentos,
passo o tempo e a tarde
inteira.
Ela é uma grande amiga,
me dá sombra e cheira bem.
acho até que ela sorri
E conhece a mim também.
Veio um homem outro dia
minha amiga examinar.
Disse que ela tinha bicho
e não ia mais sarar.
“Essa árvore é bem velha,
não tem cura na verdade.
Eu vou ter de derrubar,
pois tem bicho em
quantidade.”
A tristeza não tem hora,
a tristeza não se atrasa:
vão cortar a goiabeira
do jardim da minha casa.
Que será que ela tem
que com a vida dela acaba?
Ou pegou bicho-de-pé
ou tem bicho de goiaba...
Pomar
Henriqueta Lisboa
Menino-madruga
o pomar não foge!
( Pitangas maduras
dão água na boca.)
Menino descalço
não olha onde pisa
Trepa nas árvores
Agarrando pêssegos.
( Pêssegos macios
como paina e flor
dentadas de gosto!)
Menino, cuidado,
jabuticabeiras
novinhas em folha
não agüentam peso.
Rebrilham cem olhos
Agrupados, negros.
E as frutas estalam
- espuma de vidro
nos lábios de rosa.
Menino guloso!
Menino guloso,
ontem vi um figo
mesmo que um veludo,
redondo, polpudo,
e disse: este é meu!
Meu figo onde está?
— Passarinho comeu,
passarinho comeu ...
JACA ((JÁ) CÁ)
Asdrúbal de Campos (sim, um dos irmãos Campos)
Já cai a jaca,
cai já cá...
Jacaré! Jacaré!
Jaca... a ré?
Ué!
Jacarandá ou não dá?
Ah, sei lá!
Juca viu a jaca.
- Já?!?!
CARAMBOLA
Elias José
Que cara esquisita
tem a carambola!
Que jeito estranho
tem a carambola!
Parece que diz:
— Não me amola!
Parece frutra de plástico
ou feita de cera.
Toco e cheiro a carambola
e ela nem me dá bola.
Pra comer, até bem madura
eu não gosto, não topo!
Mas transformada em suco,
bem geladinho e doce,
encho todo o copo
e refresco o corpo.
Caramba, como é bom
o suco da carambola!
Frutos
Eugénio de Andrade
Pêssegos, pêras, laranjas,
morangos, cerejas, figos,
maçãs, melão, melancia,
ó música de meus sentidos,
pura delícia da língua;
deixai-me agora falar
do fruto que me fascina,
pelo sabor, pela cor,
pelo aroma das sílabas:
tangerina, tangerina.
MEUS OITO ANOS (trecho)
Casimiro de Abreu
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
... ... ... ... ... ...
Leito de folhas verdes (trecho)
Gonçalves Dias
Por que tardas, Jatir, que tanto a custo
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
... ... ...
A ROMÃ
Emílio de Meneses
Mal se confrange na haste a corola sangrenta
E o punício vigor das pétalas descora.
Já no ovário fecundo e entumescido, aumenta
O escrínio em que retém os seus tesouros. Flora!
E ei-la exsurge a Romã. Fruta excelsa e opulenta
Que de acesos rubis os lóculos colora
E à casca orbicular, áurea e eritrina ostenta
O ouro do entardecer e o paunásio da aurora!
Fruta heráldica e real, em si, traz à coroa
Que o cálice da flor lhe pôs com o mesmo afago
Com que a Mãe Natureza os seres galardoa!
Porém a forma hostil, de arremesso e de estrago,
Lembra um dardo mortal que o espaço cruza e atroa
Nos prélios ancestrais de Roma e de Cartago!
A manga
Ana Paula Ribeiro Tavarez (Angola)
Fruta do paraísocompanheira dos deusesas mãostiram-lhe a peledúctilcomo, se de mantosse tratassesurge a carne chegadinhafio a fioao coraçãolevemornomastigávelo cheiro permanecepara que a encontremos meninospelo faroFrutos
Antonio Cardozo (Angola)
Que frutos feios os da Europa:Não têm nome, nem têm cor,Não tem cheiro, nem sabor. Maracujá maboque Abacate sapessape Soam redondos na boca,Cheiram nos olhos e na memória Sôfrega, Sôfrega...Mangas verdes com sal
RUI KNOPFLI (Moçambique)
Mangas verdes com sal
sabor longínquo, sabor acre
da infância a canivete repartida
no largo semicírculo da amizade.
Sabor lento, alegria reconstituída
no instante desprevenido,
na maré-baixa,
no minuto da suprema humilhação.
Sabor insinuante que retorna devagar
ao palato amargo,
à boca ardida,
à crista do tempo,
ao meio da vida."
À Ilha de Maré (trecho)
Manuel Botelho de Oliveira
... ... ... ... ... ...
As fruitas se produzem copiosas,
e são tão deleitosas,
que como junto ao mar o sítio é posto,
lhes dá salgado o mar o sal do gosto.
As canas fertilmente se produzem,
e a tão breve discurso se reduzem,
que, porque crescem muito,
em doze meses lhe sazona o fruito,
e não quer, quando o fruto se deseja,
que sendo velha a cana, fértil seja.
As laranjas da terra
poucas azedas são, antes se encerra
tal doce nestes pomos,
que o tem clarificado nos seus gomos;
mas as de Portugal entre alamedas
são primas dos limões, todas azedas.
Nas que chamam da China
grande sabor se afina,
mais que as da Europa doces, e melhores,
e têm sempre a ventagem de maiores,
e nesta maioria,
como maiores são, têm mais valia.
Os limões não se prezam,
antes por serem muitos se desprezam.
Ah se Holanda os gozara!
Por nenhuma província se trocara.
As cidras amarelas
caindo estão de belas,
e como são inchadas, presumidas,
é bem que estejam pelo chão caídas.
As uvas moscatéis são tão gostosas,
tão raras, tão mimosas;
que se Lisboa as vira, imaginara
que alguém dos seus pomares as furtara;
delas a produção por copiosa
parece milagrosa,
porque dando em um ano duas vezes,
geram dous partos, sempre, em doze meses.
Os melões celebrados
aqui tão docemente são gerados,
que cada qual tanto sabor alenta,
que são feitos de açúcar, e pimenta,
e como sabem bem com mil agrados,
bem se pode dizer que são letrados;
não falo em Valariça, nem Chamusca:
porque todos ofusca
o gosto destes, que esta terra abona
como próprias delícias de Pomona.
As melancias com igual bondade
são de tal qualidade,
que quando docemente nos recreia,
é cada melancia uma colmeia,
e às que tem Portugal lhe dão de rosto
por insulsas abóboras no gosto.
Aqui não faltam figos,
e os solicitam pássaros amigos,
apetitosos de sua doce usura,
porque cria apetites a doçura;
e quando acaso os matam
porque os figos maltratam,
parecem mariposas, que embebidas
na chama alegre, vão perdendo as vidas.
As romãs rubicundas quando abertas
à vista agrados são, à língua ofertas,
são tesouro das fruitas entre afagos,
pois são rubis suaves os seus bagos.
As fruitas quase todas nomeadas
são ao Brasil de Europa trasladadas,
por que tenha o Brasil por mais façanhas
além das próprias fruitas, as estranhas.
E tratando das próprias, os coqueiros,
galhardos e frondosos
criam cocos gostosos;
e andou tão liberal a natureza
que lhes deu por grandeza,
não só para bebida, mas sustento,
o néctar doce, o cândido alimento.
De várias cores são os cajus belos,
uns são vermelhos, outros amarelos,
e como vários são nas várias cores,
também se mostram vários nos sabores;
e criam a castanha,
que é melhor que a de França, Itália, Espanha.
As pitangas fecundas
são na cor rubicundas
e no gosto picante comparadas
são de América ginjas disfarçadas.
As pitombas douradas, se as desejas,
são no gosto melhor do que as cerejas,
e para terem o primor inteiro,
a ventagem lhes levam pelo cheiro.
Os araçazes grandes, ou pequenos,
que na terra se criam mais ou menos
como as pêras de Europa engrandecidas,
com elas variamente parecidas,
de várias castas marmeladas belas.
As bananas no Mundo conhecidas
por fruto e mantimento apetecidas,
que o céu para regalo e passatempo
liberal as concede em todo o tempo,
competem com maçãs, ou baonesas
com peros verdeais ou camoesas.
Também servem de pão aos moradores,
se da farinha faltam os favores;
é conduto também que dá sustento,
como se fosse próprio mantimento;
de sorte que por graça, ou por tributo,
é fruto, é como pão, serve em conduto.
A pimenta elegante
é tanta, tão diversa, e tão picante,
para todo o tempero acomodada,
que é muito aventajada
por fresca e por sadia
à que na Asia se gera, Europa cria.
O mamão por freqüente
se cria vulgarmente,
e não o preza o Mundo,
porque é muito vulgar em ser fecundo.
O marcujá também gostoso e frio
entre as fruitas merece nome e brio;
tem nas pevides mais gostoso agrado,
do que açúcar rosado;
é belo, cordial, e como é mole,
qual suave manjar todo se engole.
Vereis os ananases,
que para rei das fruitas são capazes;
vestem-se de escarlata
com majestade grata,
que para ter do Império a gravidade
logram da croa verde a majestade;
mas quando têm a croa levantada
de picantes espinhos adornada,
nos mostram que entre Reis, entre Rainhas
não há croa no Mundo sem espinhas.
Este pomo celebra toda a gente,
é muito mais que o pêssego excelente,
pois lhe leva aventagem gracioso
por maior, por mais doce, e mais cheiroso.
Além das fruitas, que esta terra cria,
também não faltam outras na Bahia;
a mangava mimosa
salpicada de tintas por fermosa,
tem o cheiro famoso,
como se fora almíscar oloroso;
produze-se no mato
sem querer da cultura o duro trato,
que como em si toda a bondade apura,
não quer dever aos homens a cultura.
Oh que galharda fruita, e soberana
sem ter indústria humana,
e se Jove as tirara dos pomares,
por ambrósia as pusera entre os manjares!
Com a mangava bela a semelhança
do macujé se alcança;
que também se produz no mato inculto
por soberano indulto:
e sem fazer ao mel injusto agravo,
na boca se desfaz qual doce favo.
... ... ...